Imagens


Mudança contínua, se imperceptível preguiçosamente perigosa ou vibrante e ruidosa, inequívoca, potencialmente esclarecedora, resultante da acumulação e interpretaçao de informação recolhida, se processada, na sucessão de vidas.
Algumas passaram sem lhes pressentir o acabar e o que cá dentro projectou só noutras identifiquei e construí.
Nesta, que agora se extingue, adivinhei o momento exacto que lhe iniciou o fim.
Vida a que o amanhã não quero adivinhar ou planear, atento á presente que começou e ainda a defunta se arrasta empurra e quer forçar a presença indesejada, ineficaz, desactualizada.
De cabelo grisalho e rugas marcadas que o tempo deixou, no olhar que promete ainda sonhar no sorriso honesto pelas lágrimas sentidas que me enchem o peito de força e coragem de ser, tão pouco saber e ainda querer, agora sem correr, pequenos e grandes prazeres viver, proibir o amanhã vir hoje iludir os sentidos nos dias grandes de Verão cheios e quentes de ternura em Janeiro, de chuva brilhante refrescante em Agosto que a Alma lava, escorre e mistura na terra tristezas passadas onde a alegria cresce e passeiam aqueles que não queremos nem podemos perder e nos berram as falhas mas nos tropeços amparam e aceitam.
Amigos.
Imagens de viagens onde personagens de cores pálidas de prazo expirado se misturam nas paisagens, rostos desfocados desenquadrados perdidos, paisagens desertas belas, tristes de côres fortes berrantes, frias, momentos que imagino importantes mas não sei, caras que pensei amigos sem saber ainda não ter, nem saber como ser.
Do tempo que agora acaba passam em parada personagens alinhados sorrisos branqueados em rosto defenido correcto, nomes perdidos, focados e enquadrados, idênticos.
Imagens inesquéciveis de poucos tão importantes gravadas para sempre, presentes e queridos.
Uma imagem composta por incontáveis imagens deambula com vontade própria.
Lembro a beleza evidente, comovente, de pormenores únicos só registados por mim.
Incapaz de parar, isolar ou focar uma só sem responsabilizar o tempo ou a distância.
Quão insignificantes todas as imagens são ao perceber a beleza infindável, intrigante e surpreendente do Mundo que por breves, unícos e inesquéciveis momentos se abriu para mim.


6 comentários:

Quim Drummond disse...

Parabéns Zé Manel por tão lindos poemas.
Abraços,

Quim Drummond

zé manel disse...

Obrigado Quim.
Não sou poeta e fotográfo melhor que escevo.
Não tão bem como você.
Só desabavos. só...
Abraço

Incongruente disse...

Olá,

É egocentrismo ou mesmo falta de criatividade o nome do teu blog?
É original sem dúvida.

Vou ler com atenção. A vida é um rodopio de sentires!

Ignota disse...

Desafio no meu blog para ti. :)

zé manel disse...

Olá, Incongruente:

Claro egocentrismo.
Aqui só eu.
O nome não me pareceu importante, como a roupa ou maquilhagem... ou fui mesmo obrigado a ter nome... e afinal original!

A tua atenção é um estímulo para quem, como eu, tem dificuldades em escrever...
Tu Escreves.
Eu rodopio...

zé manel disse...

Aceito o desafio.
Obrigado.
Não se se hoje pois tenho por aqui duas luzes que me incandeiam os dias e fazem esquecer também o dia que foi meu...